segunda-feira, 2 de março de 2026

Bolo Martha Rocha ganha festival próprio em Curitiba

 

Evento celebra o doce tradicional em 22 confeitarias da cidade

Padaria América Café
 
O bolo Martha Rocha, declarado Patrimônio Cultural Imaterial do Paraná em fevereiro deste ano, ganhou um evento para chamar de seu. O 1º Festival de Bolo Martha Rocha acontece de 4 a 15 de março. São 22 confeitarias participantes e todas irão vender cada fatia ao preço único de R$ 19,50. A organização é da Curitiba Honesta, plataforma de gastronomia já conhecida pelos festivais do Pão com Bolinho, Carne de Onça, entre outros. A proposta é valorizar a história do doce, estimular a produção artesanal e convidar o público a revisitar sabores que fazem parte da memória afetiva da cidade.
O empresário Sérgio Medeiros, idealizador do projeto, comemora a ótima receptividade ao evento. “Ficamos muito felizes com a excelente adesão das confeitarias ao primeiro festival. Com certeza entrará no nosso calendário anual, prosseguindo assim com a valorização da gastronomia local, que sempre foi o foco da Curitiba Honesta”, diz ele.
Criado em 1954, em Curitiba, o bolo nasceu como uma homenagem a Maria Martha Hacker Rocha, eleita Miss Brasil naquele ano e segunda colocada no concurso de Miss Universo. A autoria da receita é atribuída à confeiteira Dair da Costa Terzado, então proprietária da tradicional Confeitaria das Famílias, localizada no centro de Curitiba. O sucesso foi imediato: a sobremesa conquistou a cidade, passou a marcar aniversários, casamentos e celebrações e, com o tempo, tornou-se presença quase obrigatória nas vitrines das confeitarias locais.
Confira os participantes do festival:
  • Brioche - Água Verde
  • Brioche - Juvevê
  • Chiffon Cake
  • Confeitaria Acapulco
  • Confeitaria Doce Pecado
  • Confeitaria Holandesa
  • Confeitaria Moinho Holandês
  • Confeitaria Rosângela
  • Confeitaria Sênior Koster
  • Damarate Confeitaria - Agua Verde
  • De Fátima Pães e Doces
  • Docelândia
  • Donana Doces
  • Kaffe Kantate
  • Ladé Chocolates e Doceria
  • Maison Lalisse
  • Padaria América Café
  • Panificadora Aquarius
  • Roberta Schwanke Gastronomie Patisserie
  • SóQuindins
  • Tutti Pães e Doces
  • Velvet Bolo
 
O 1º Festival de Bolo Martha Rocha tem apoio da Prefeitura de Curitiba, por meio do Instituto Municipal de Turismo. Receitas e endereços estão disponíveis em www.curitibahonesta.com.br.
 
Serviço
1º Festival de Bolo Martha Rocha
Data: de 4 a 15 de março de 2026
Preço único: R$ 19,50
Informações: www.curitibahonesta.com.br
Instagram @curitibahonesta
Foto: Gean Cavalheiro.

COPAG e Turma da Mônica anunciam parceria inédita com jogos exclusivos

 

Baralho narrativo e edição especial do jogo Eu Vi! chegam ao mercado em 2026


COPAG, líder absoluta no mercado de baralhos e jogos de mesa, e a MSP Estúdios unem forças em uma colaboração que promete encantar. A parceria celebra o encontro de duas das marcas mais icônicas do Brasil, unindo o design e a expertise lúdica da COPAG ao universo narrativo e ao forte vínculo afetivo criado por Mauricio de Sousa. Nesta fase inicial, a colaboração apresenta dois lançamentos estratégicos que transformam o entretenimento em família:

O Baralho Narrativo: uma história em cada carta

O destaque da linha é o baralho especial da Turma da Mônica, desenvolvido sob um conceito inovador de "produto narrativo". Indo além da estética tradicional, os personagens interagem diretamente com os elementos das cartas e seus naipes. O design gráfico foi pensado para que cada partida simule a dinâmica visual das tirinhas, transformando o jogo em uma experiência de imersão no Bairro do Limoeiro.

Jogo "Eu Vi!": Agilidade e diversão para todas as idades

Complementando a coleção, o jogo Eu Vi! ganha uma edição especial temática. Com os personagens em suas poses mais icônicas e bem-humoradas, o título reforça os atributos de versatilidade e acessibilidade, sendo a escolha ideal para integrar diferentes idades em qualquer contexto social.

“Já realizamos colaborações com a MSP no passado e sempre foi uma experiência muito positiva. Essa parceria nos permitiu unir duas grandes linhas da COPAG em produtos que valorizam a experiência lúdica e o afeto”, afirma Mariana Dall’Acqua, VP de Marketing LATAM da COPAG.

O desenvolvimento do portfólio é fruto de uma imersão conjunta entre os times criativos das duas companhias. O objetivo central foi transcender o licenciamento tradicional, criando produtos onde os personagens ganham vida própria. Com foco em movimento, personalidade e o humor característico do universo mauriciano, cada peça respeita rigorosamente a identidade visual dos quadrinhos, ao mesmo tempo em que amplia as camadas de interação e diversão durante as partidas.

Para a COPAG, a parceria consolida sua presença estratégica no ecossistema do entretenimento, enquanto para a MSP, reafirma a Turma da Mônica como uma força indispensável no universo dos jogos de mesa e board games.

“Nossa missão na MSP é criar conexões reais entre os personagens e as famílias brasileiras. Unir o DNA narrativo do Bairro do Limoeiro à expertise da COPAG nos permitiu transformar o jogo em uma extensão das nossas histórias”, afirma Cristina Leme, diretora de licenciamento da MSP Estúdios. “Não estamos apenas estampando cartas, mas entregando uma nova forma de vivenciar a Turma da Mônica", finalizou.

A linha completa tem lançamento oficial previsto para o primeiro semestre de 2026. Os produtos estarão disponíveis nos principais pontos de venda do país, incluindo lojas de brinquedos, hobby stores, grandes e-commerces e diretamente pelo portal oficial da Copag.

Sobre a COPAG

Com 117 anos de experiência em baralhos e jogos, a COPAG é uma empresa brasileira reconhecida por sua expertise, inovação e criatividade. Em 2005, a empresa foi incorporada ao grupo internacional Cartamundi, produzindo e distribuindo baralhos, jogos e TCGs (Trading Card Games) nos cinco continentes. A COPAG também se destaca pelo compromisso com a diversidade e inclusão, promovendo ambientes que valorizam a pluralidade cultural e social, além da responsabilidade ambiental.

Mais informações: http://www.copag.com.br

Sobre a MSP Estúdios  

A MSP Estúdios, fundada por Mauricio de Sousa, é responsável por franquias como Turma da Mônica, Chico Bento e Horácio. Pioneira no licenciamento de personagens no Brasil, consolidou-se como uma das principais referências do entretenimento nacional, produzindo quadrinhos, livros, animações, filmes, séries, games, músicas e uma variedade de conteúdos que combinam criatividade, inovação e narrativas originais. Sua missão é divertir, inspirar e fomentar a cultura por meio de obras que tratam de temas universais, como a valorização da amizade, sempre alinhadas ao compromisso com diversidade, equidade e inclusão. Com um portfólio em expansão e projetos de destaque em múltiplas plataformas, a MSP explora novas frentes criativas, tanto ao adaptar seus universos a formatos contemporâneos quanto ao desenvolver iniciativas que dialogam de maneira única com o público de todas as idades. Signatária dos WEPS (Princípios de Empoderamento da Mulher), iniciativa da ONU Mulheres em parceria com o Pacto Global, a MSP Estúdios também atua ao lado do UNICEF, do WWF-Brasil e de outras organizações reconhecidas internacionalmente. 

Foto: Divulgação.

Live Poker Club celebra o Dia da Mulher com evento beneficente e torneio exclusivo

 



O Ladies acontece no dia 07 de março, tem entrada gratuita e vai arrecadar chocolates para o projeto Páscoa Solidária



 

Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, o Live Poker Club promove uma edição especial do Ladies, evento beneficente criado exclusivamente para mulheres e voltado à valorização do protagonismo feminino no universo do poker. O encontro marcado para o dia 07 de março, a partir das 14h30, tem entrada gratuita e reúne networking, diversão e ações solidárias em um ambiente sofisticado e acolhedor.

 

Além do torneio de poker dedicado apenas ao público feminino com premiação de R$10 mil, a programação conta com palestras e aulas voltadas para quem deseja conhecer ou se aprofundar no esporte, criando um ambiente acessível e inclusivo. As participantes também terão à disposição um café da tarde assinado pelo chef  Bruno Heller Mylla, além de uma área com expositoras de diversos segmentos voltados ao público feminino, incentivando o empreendedorismo e a troca entre marcas e consumidoras. Também serão realizados sorteios de brindes com lojas parceiras a cada 30 minutos durante o evento.

 

O caráter beneficente é um dos pilares do Ladies. A edição conta com a parceria do projeto Natal Solidário e, neste ano, amplia sua atuação social com a Páscoa Solidária, iniciativa voltada à arrecadação de chocolates para crianças em vulnerabilidade social. Desde o primeiro evento, o Ladies conta com a parceria da Liga Paranaense de Poker Feminino, comandada por Viviane Lange.

 

“Mais do que um torneio, o Ladies se consolida como um movimento feminino que conecta mulheres de diferentes perfis que querem fazer o bem, fortalecer o ambiente de networking e ampliar a visibilidade feminina”, explica Elisa Farias, uma das organizadoras do evento. 

 

A entrada é gratuita para as mulheres. Para participar do torneio, a inscrição será feita no local, mediante doação de uma caixa de chocolates e o buy-in não terá custo. O Live Poker Club fica no Shopping Estação, no G5 Verde. 

 

Serviço 

Ladies - evento beneficente exclusivo para mulheres

Quando: 07 de março, a partir das 14h30

Quanto: entrada gratuita para as mulheres 

Torneio: buy-in sem custo, apenas doação de uma caixa de chocolates para a Páscoa Solidária - prêmio de R$10 mil

Onde: Live Poker Club – Shopping Estação - G5 Verde - Curitiba (PR)

 

Sobre o Live Poker Club

O Live Poker Club é considerado um dos clubes mais modernos do país. Localizado dentro de um dos shoppings mais movimentados da capital paranaense, o Shopping Estação, possui uma estrutura com mais de 1.000 m² e investimento superior a R$5 milhões. O espaço oferece 40 mesas para torneios e cash games, além de um sports bar e restaurante sofisticado e uma sala VIP que garantem conforto e exclusividade aos jogadores.

 

Foto: Daniel Andrade


Amigos do HC realizam primeiro bazar de 2026 com produtos doados pela Receita Federal

 

Todo o valor arrecadado será destinado ao  atendimento de crianças e adolescentes


A Associação dos Amigos do HC fará seu primeiro bazar do ano no próximo dia 06.03, oferecendo ao público uma grande variedade de mercadorias doadas pela Receita Federal. Dentre os destaques estão aparelhos eletrônicos, telefones celulares, perfumes, brinquedos e roupas. Para garantir a organização dos interessados, a entrada será controlada por senhas e o atendimento ao público será realizado das 8h às 19h.

Todo o valor arrecadado com o bazar será destinado à reforma da sede do DEDICA (Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente), programa mantido pelos Amigos do HC que atende vítimas de violência grave e gravíssima. “São essas ações que nos ajudam a manter os programas em atividade plena. A participação da comunidade é fundamental para garantirmos a qualidade no atendimento, a manutenção dos profissionais envolvidos e toda a infraestrutura necessária para oferecer a melhor assistência”, afirma o presidente da Associação, Ercílio Santinoni.

Para participar, os interessados devem pagar uma taxa de entrada no valor de R$5,00 (pagamento via Pix ou cartões de crédito e débito). A distribuição de senhas, seguindo as categorias normal e prioritária, começará às 8h e seguirá até às 17h, respeitando rigorosamente a ordem de chegada.

Regras de compra e limites

Por se tratar de um evento com finalidade social e itens provenientes de apreensões, o acesso ao bazar é restrito exclusivamente a pessoas físicas maiores de 18 anos que apresentem documento oficial com foto e realização de cadastro. Não serão permitidas as compras utilizando o CPF de terceiros que não estejam presentes. O limite máximo de compras é fixado em R$1.500,00 por CPF, sendo que, se um único item ultrapassar esse valor, o consumidor poderá adquirir apenas este produto. 

As regras quantitativas visam evitar a revenda comercial dos produtos oferecidos. No caso de celulares e eletrônicos, a compra é limitada a duas unidades por produto, respeitando o teto de apenas uma unidade por modelo específico para os itens eletrônicos. O setor de vestuário possui um limite de 12 peças por pessoa, enquanto os artigos de bazar e brinquedos são restritos a 15 unidades no total. 

As formas de pagamento disponíveis incluem pix, cartão de débito e cartão de crédito, que permite o parcelamento em até três vezes desde que a parcela mínima seja de R$100,00. Não será aceito pagamento realizado em dinheiro em espécie.

Logística e garantias

Cada grupo de consumidores terá um tempo de 30 minutos para realizar suas compras. É importante ressaltar que, por serem mercadorias doadas, os produtos não possuem garantia e não podem ser trocados. Além disso, não será permitido testar equipamentos eletrônicos, abrir embalagens lacradas ou utilizar provadores de roupas.

Sobre a Associação dos Amigos do HC

 

Os Amigos do HC são uma Organização da Sociedade Civil (OSC) sem fins lucrativos, que há quase 40 anos atua na promoção da saúde e defesa de direitos. Seu compromisso consiste em melhorar a qualidade do atendimento aos pacientes SUS, familiares e acompanhantes do Complexo Hospital de Clínicas da UFPR.

 

Desde 2016, também prestam assistência interdisciplinar para crianças e adolescentes vítimas de violências graves e gravíssimas por meio do Programa DEDICA – Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente. Em 2024, ampliaram a atuação com o lançamento do Programa PROTEGER, que passou a oferecer em Paranaguá o mesmo modelo de atendimento interdisciplinar realizado pelo DEDICA, em Curitiba. Além disso, desde 2021 mantém o Programa CEDIVIDA – Centro de Direitos à Vida da Pessoa Idosa, ampliando a atuação para a causa do protagonismo e envelhecimento saudável.


Serviço:

Bazar dos Amigos do HC

Data: 06 de março de 2026

Horário: 08h às 19h (senhas até as 17h)

Ingresso: R$ 5,00 (pagamento via pix, cartões de crédito e débito)

Dúvidas e informações: (41) 98713-6516

Mais informações: www.amigosdohc.org.br 


Foto: Arthur Gomes.

Kopenhagen apresenta novos sabores de Nhá Benta

 

Novidades da temporada combinam chocolate, bebidas geladas e experiências pensadas para o ritmo da estação mais quente do ano

Reconhecida por unir tradição e criatividade, a Kopenhagen mantém a inovação como um pilar constante do seu portfólio. A marca revisita seus clássicos, experimenta novos sabores, formatos e ocasiões de consumo, sempre atenta aos hábitos do consumidor e às tendências do momento. No verão, esse olhar inovador se traduz em produtos mais leves, refrescantes e versáteis, que ampliam a presença da Kopenhagen ao longo do dia e convidam o público a viver novas experiências com o chocolate e com a cafeteria da marca.
Nhá Benta ganha novos sabores
Um dos maiores ícones da Kopenhagen, a Nhá Benta ganha destaque especial nesse verão com o lançamento de dois sabores sazonais:Mousse de Coco e Cereja. As novidades chegam às lojas em versões de 30g e 90g, com perfis mais leves, frescos e tropicais, ideais para quem não abre mão do chocolate mesmo nos dias mais quentes.
Além disso, o clássico retorna em uma versão perfeita para a estação: a Nhá Benta Gelada no Palito, pensada para quem procura uma sobremesa prática, refrescante e cheia de sabor. O consumidor ainda pode incrementar com toppings e caldas da sua preferência. 
 
Cafeteria Kopenhagen aposta em bebidas geladas e collab inédita
A cafeteria Kopenhagen também ganha novos atrativos durante a temporada. O cardápio de verão traz milkshakes, sundaes e bebidas geladas que dialogam com os lançamentos do portfólio, como os sabores coco, cereja e avelã, criando combinações perfeitas para uma pausa prolongada nas lojas.
Entre as principais inovações está o lançamento do Matcha Latte, desenvolvido em uma collab exclusiva com a Puravida. A bebida chega como uma alternativa refrescante ao café tradicional e acompanha as principais tendências de consumo da estação.
 
Disponível em versões zero açúcar, vegana e preparada com leite de aveia, o Matcha Latte pode ser encontrado nas opções tradicional e com morango. A novidade combina sabor, frescor e energia natural, sendo ideal para diferentes momentos do dia,  da manhã às pausas da tarde.
Além da collab com Puravida, o consumidor também encontrará novas bebidas e sobremesas refrescantes que se juntam ao portfólio, como: Expresso tônica morango, milkshake de coco, milkshake de chocolate com  avelã, sundae de coco e sundae de avelã. 
Com as novidades do Verão Kopenhagen, a marca reforça que chocolate e calor podem, sim, caminhar juntos. Seja com uma Nhá Benta geladinha, um milkshake cremoso ou uma bebida zero açúcar na cafeteria, um verdadeiro convite ao consumidor para transformar os dias quentes em momentos de prazer.
KOPENHAGEN CURITIBA
Os clientes têm as opções de compras nas 11 lojas na capital paranaense, nos principais shoppings, Eco Medical Center (Rua Goiás, 70, bairro da Água Verde), Praça do Japão (Rua Acyr Guimarães, 01), Quadrata Mall (Rua Deputado Joaquim José Pedrosa, 300, Cabral) e Flow Open Mall, no bairro Uberaba.
Os produtos da Kopenhagen também estão disponíveis nas lojas da rede de supermercados Festval: Mercês, São Lourenço, Pinhais, Linha Verde, Kennedy, Alto da XV, São José dos Pinhais, Cabral e Palazzo).
Pontos extras:  Mercado Guassu – Ecovillhe (Campo Comprido)
Informações: (41) 3011-2825
Receba em casa: (41) 99262-6631
Instagram: @kopenhagen_curitiba
SAC: 0800 100 678
 Foto: Kopenhagen/Mkt

sábado, 28 de fevereiro de 2026

ARTIGO: Decisão do CNJ: Cartórios não podem exigir CND para registro de imóveis

 

Drª. Debora de Castro da Rocha

O Conselho Nacional de Justiça decidiu que os cartórios de registro de imóveis não podem exigir a apresentação de Certidão Negativa de Débitos (CND) como condição para efetivar o registro da transferência de propriedade. Essa prática foi considerada uma sanção política, ou seja, um meio indireto e coercitivo de cobrança de tributos, vedado pelo ordenamento jurídico brasileiro.

A decisão se fundamenta em diversos dispositivos constitucionais e legais. O princípio da legalidade, previsto no artigo 5º, inciso II, da Constituição Federal, estabelece que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei. Como não há previsão legal que condicione o registro imobiliário à apresentação de CND, a exigência feita por cartórios viola diretamente esse princípio. Além disso, o direito de propriedade, garantido pelo artigo 5º, inciso XXII, da Constituição, assegura ao cidadão a plena fruição de seus bens, e restrições administrativas sem respaldo legal configuram afronta a esse direito fundamental.

O Supremo Tribunal Federal consolidou entendimento de que é inconstitucional a utilização de meios indiretos de cobrança de tributos que restrinjam direitos fundamentais ou atividades econômicas. Esse entendimento está expresso em súmulas como a 70, que veda a interdição de estabelecimento como forma de cobrança; a 323, que proíbe a apreensão de mercadorias para compelir o pagamento de tributos; e a 547, que impede a autoridade administrativa de proibir o contribuinte em débito de exercer suas atividades. A exigência de CND para registro imobiliário se enquadra nessa lógica, pois condiciona o exercício do direito de propriedade ao pagamento de tributos, sem previsão legal específica.

O Código Tributário Nacional também disciplina os instrumentos próprios de cobrança de tributos, como a inscrição em dívida ativa e a execução fiscal, previstos nos artigos 201 e seguintes. A exigência de CND em cartórios desvia desse procedimento, criando um mecanismo paralelo e inconstitucional de cobrança. Já a Lei de Registros Públicos (Lei nº 6.015/1973) estabelece os requisitos formais para registros e averbações em cartórios, e em nenhum dispositivo há previsão de apresentação de CND como requisito para o registro de imóveis.

Em síntese, a decisão reafirma a supremacia da Constituição e da jurisprudência sobre práticas administrativas que criam obstáculos indevidos ao exercício de direitos fundamentais. Exigir CND para registro de imóveis não apenas carece de base legal, como também configura sanção política, violando os princípios da legalidade, da propriedade e do devido processo legal. A cobrança de tributos deve ocorrer pelos meios próprios previstos em lei, sem comprometer direitos essenciais como o de registrar e transferir propriedades.

Serviço: 

debora@dcradvocacia.com.br

Foto: Cla Ribeiro. 

Na onda de Bridgerton: conheça prédios brasileiros com arquitetura inspirada na monarquia britânica

 

Muito antes do sucesso recente das produções de época, o mercado imobiliário brasileiro já apostava em referências históricas para marcar posição no segmento de luxo. No Sul do país, empreendimentos adotam nomes de reis e rainhas e incorporam traços inspirados em palácios europeus.


 A estreia da quarta temporada da série Bridgerton na Netflix, lançada em duas partes, a primeira em 29 de janeiro e a segunda prevista para 26 de fevereiro de 2026, reacendeu globalmente o fascínio por dramas de época ambientados na alta sociedade britânica. A série, baseada nos romances de Julia Quinn, segue os amores e escândalos da família Bridgerton no início do século XIX, em meio a bailes, cortes e rivalidades aristocráticas. 
 
Dados oficiais da plataforma apontam que a temporada recém-estreada entrou no Top 10 global da Netflix em seu lançamento, com dezenas de milhões de horas assistidas nas primeiras semanas. Enquanto isso, no Brasil,  projetos arquitetônicos incorporam referências diretas à monarquia europeia e britânica, inclusive no nome, e da mesma forma que a série, têm conquistado pessoas de diversas partes do país e do exterior.  
 
 “Castelo” que reverencia o Rei George
 
A beira-mar de Itapema (SC), um empreendimento residencial vem chamando a atenção por sua proposta arquitetônica e simbólica: um prédio inspirado em estética monárquica europeia, com referências explícitas ao Rei George IV, figura histórica que foi rei do Reino Unido entre 1820 e 1830, e cujo papel social e cultural é citado de forma ficcionalizada, na mitologia de Bridgerton. 
 
O empreendimento, que inclui jardim de inspiração europeia na entrada e intervenções artísticas nas garagens com referências à realeza, faz parte do portfólio da Gessele Empreendimentos. Com sede no Sul do país, a construtora atua há 13 anos no segmento de luxo e adotou como conceito homenagear monarcas e personagens históricos britânicos tanto na identidade quanto no design de seus projetos. Entre os edifícios já lançados estão Louis XV, Joseph II, Marie Antoinette, Francisco I, George VI e Elizabeth II.
 
“Sempre tive uma ligação muito forte com a história e com as artes clássicas. Quando fundamos a Gessele, meu marido João e eu não queríamos desenvolver projetos sem um legado, uma conexão histórica e artística. Nosso objetivo era e ainda é desenvolver projetos irreplicáveis, porém com uma identidade, e que carregassem significado. Para estruturar esse conceito, retomei o contato com uma pessoa querida que é um especialista,  meu antigo professor de história, que contribuiu na definição das inspirações de cada empreendimento. Também realizamos inúmeras viagens  para conhecer de perto castelos, palácios e jardins europeus e entender como aqueles monumentos ainda geram tanto fascínio por pessoas de todo o planeta. Essas experiências nos trouxeram mais conhecimento e a capacidade de transformar referências históricas reais em elementos arquitetônicos aplicados aos nossos prédios”, destaca Paula Gessele, vice-presidente da Gessele Empreendimentos.
 
Sobre a Gessele Empreendimentos
 
Com 13 anos de história e projetos exclusivos e inovadores que elevam o padrão de exclusividade e de qualidade na construção civil brasileira, a Gessele Empreendimentos, com matriz na cidade de Itapema, se destaca no mercado de alto luxo. A construtora já entregou quatro empreendimentos e tem dois em construção: Elizabeth II Royal Home e George VI, além do Charles II Yacht Royal Home by OKEAN, em fase de lançamento. Além desses, a empresa possui outros empreendimentos previstos para lançamento em breve. Conquistou recentemente as certificações ISO 9001 e 14001, o que reforça o compromisso com qualidade e sustentabilidade em seus projetos de alto luxo. Com trajetória e essência da marca inspirados em arte, história e cultura, seus empreendimentos trazem nomes mundiais da realeza que deixaram importantes legados ao planeta e, dessa forma, a empresa une tradição, cultura e inovação, sob o comando de Paula Gessele e João Conhaqui, que desenvolvem lares sofisticados para famílias, com excelência em cada detalhe.

Foto: Divulgação.

Grupo Magiluth vai dar “festão tecnobrega” na Ópera de Arame

 

Dividida em duas partes, releitura de “Édipo Rei” tem forte inspiração cinematográfica e crítica à realidade “recortada” das redes sociais

Habitués do Festival de Curitiba, os pernambucanos do Magiluth frequentam o maior evento de artes cênicas da América Latina há quase 15 anos. Aportaram por aqui pela primeira vez na edição de 2012, e logo de cara com três espetáculos: “Aquilo Que Meu Olhar Guardou Pra Você”, “O Canto de Gregório” e “1 Torto”, os últimos dois pela Mostra Fringe. Também pelo Fringe, voltaram no ano seguinte, com “Viúva, Porém Honesta”. Dali pra frente, estiveram mais três vezes na Mostra Oficial, rebatizada em 2022 de Mostra Lucia Camargo, com “Dinamarca” (2018), “Estudo Nº 1: Morte e Vida” (2022) e “Apenas o Fim do Mundo” (2024).

Em 2026, o Magiluth chega à programação do 34ª edição do Festival de Curitiba com a peça “Édipo REC”, uma releitura da tragédia grega de Sófocles com forte inspiração cinematográfica e crítica à realidade “recortada” nas redes sociais. Dividido em duas partes, o espetáculo começa com um “festão”, nas palavras do dramaturgo Giordano Castro. “É discotecagem, música pra balançar, pra dançar. A gente convida o público pra estar no palco, bebendo e tudo mais”, conta, em entrevista.

As sessões acontecem nos dias 08 e 09 de abril, às 20h30, e ajudam a marcar o retorno da programação do Festival de Curitiba à Ópera de Arame. “A proposta é fazer a coisa ficar gigantesca. São mais de mil e quinhentos lugares.” Os ingressos para o Festival estão à venda pelo site www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física no Shopping Mueller (Av. Cândido de Abreu, 127 – Piso L3, Centro Cívico).

Fundado em 2024, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o Magiluth é hoje um dos grupos teatrais mais respeitados do país, batizado com o acrônimo produzido a partir das iniciais de seus quatro fundadores: Marcelo Oliveira, Giordano Castro, Lucas Torres e Thiago Liberdade.

Da trupe original, ficaram Lucas e Giordano, que no decorrer dos anos ganharam o acréscimo de Bruno Parmera, Mário Sergio Cabral, Pedro Wagner e Erivaldo Oliveira. Erivaldo, inclusive, faz uma ponta de “O Agente Secreto”, filme de Kléber Mendonça Filho indicado ao Oscar em quatro categorias, entre elas Melhor Seleção de Elenco.

Em “Édipo REC”, pensada como parte das comemorações dos vinte anos do grupo, em 2024, todos estão no palco, com a atriz convidada Nash Laila. A produção é do próprio Grupo Magiluth e do Corpo Rastreado.

A peça ainda reedita a parceria com o encenador paulista Luiz Fernando Marques, o Lubi, que pela quarta vez dirige uma peça da companhia. “A gente fica dizendo que ele é o sétimo magiluth. Ele veste a camisa. Se você olhar qualquer foto do Lubi, ele está com o boné do Magiluth”, brinca Giordano.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista:

No quê vocês basearam a montagem dessa versão tão inusual de Édipo Rei?

Tudo começa com a ideia de fazer um espetáculo pra comemorar os 20 anos do Magiluth. A gente queria algum clássico, alguma coisa que fosse marcante. E a ideia primeira era pensar num espetáculo que fosse uma celebração, uma festa mesmo.

Quando a gente chega no Édipo e começa a estudar a estrutura dramatúrgica da peça, percebe que existem leituras possíveis dentro dela. Uma delas, que talvez a gente siga muito mais do que a da peça original, é a do filme do Pasolini.

O filme tem uma primeira parte imaginando o que aconteceu antes, e na segunda parte ele usa basicamente a estrutura da peça original. É isso que a gente pega pra fazer o espetáculo.

Então, quem for assistir ao Édito REC vai pegar toda a trajetória do Édipo, não somente o Édipo do Sófocles, a gente faz uma atualização pensando o que aconteceu antes.

Quando a gente começa a fazer o espetáculo e a pensar sobre ele, uma das coisas que chama muito a nossa atenção é que a tragédia do Édipo é uma tragédia pela busca de se conhecer. A busca por tentar entender a si mesmo vai revelando a sua própria tragédia.

Hoje, a gente tem um excesso de informação o tempo todo, não só daquilo que a gente consome, mas também do que dá pro mundo. O tempo todo todo mundo tem uma câmera, está criando conteúdo, alguma coisa sobre si. E a discussão que a gente faz é: o que você revele que é de fato verdadeiro, o que é você por trás de tudo isso? Nessa busca por tentar saber quem é, o Édipo vai encontrando a própria tragédia.

É um espetáculo que flerta, faz uma junção, de toda a trajetória do Magiluth nesses 20 anos. Tem um flerte muito grande com a linguagem audiovisual, algo que a gente sempre traz muito forte pra dentro das peças do Magiluth. É por isso também que a Nash está conosco. A Nash é uma atriz que, se você pegar os dez últimos filmes pernambucanos que foram feitos, ela está em oito. É uma cara muito comum no cinema pernambucano.

Nessa primeira parte da peça o Édipo é um DJ. Tem também um beijaço, certo? Fala um pouco dessa festa.

A gente faz na peça uma divisão clássica do teatro grego. A primeira parte é comédia, a segunda é tragédia, tentando fazer com o que o público perceba que, pra você ter a dimensão da tragédia, você tem que viver um momento de festa: “Opa, a coisa virou”. É uma peça em que você experimenta isso. A primeira parte é uma festa mesmo, a gente convida o público pra estar conosco, dançando, cantando, beijando, sarrando.

Isso dura uma hora. O público vai estar uma hora com o DJ Édipo. Dentro do espelhamento que a gente faz da peça, o antigo DJ, o DJ Laio, morreu misteriosamente numa situação e violência. E quem assume agora a festa é esse novo DJ que chega na cidade, esse forasteiro, o DJ Édipo, que traz de volta a alegria pra aquele lugar. Então, assim, é festão mesmo, discotecagem, música pra balançar, pra dançar, a gente convida o público pra estar com a gente no palco, bebendo e tudo mais.

A proposta da gente é essa e dentro da Ópera de Arame é fazer a coisa ficar gigantesca, né? São mil e poucos lugares. Depois, num segundo momento, a gente convida o público a sentar e a assistir a tragédia desse Édipo.

No material de divulgação, vocês chamando Édipo REC de “uma tragédia à la Magiluth”. Como você define isso?

É fazer com que você viva a experiência, de fato. Os espetáculos do Magiluth tem a proposta de fazer o público participar de uma forma muito ativa, vivenciar aquela situação. Muito mais do que assistir ou apreciar, é fazer com que essa experiência seja uma experiência de fato imersiva. É uma das coisas que a gente foi entendendo dentro da linguagem do grupo.

Dentre todas as possibilidades à mão, por que Édipo?

Talvez porque, dentro dos clássicos, foi o que a gente conseguiu ver de forma mais palpável esse flerte com o cinema? Quando a gente encontrou a obra do Pasolini – talvez ela tenha aparecido pra gente até antes do que o próprio Édipo. Foi uma busca pra ver onde o teatro e o cinema se encontravam de alguma forma. O filme do Pasolini é muito forte.

A gente também assiste a um filme muito legal chamado “O Funeral das Rosas”, um filme japonês da década de 60, uma adaptação que tem uma travesti fazendo o Édipo. E isso deu um bom na cabeça da gente, maravilhoso.

É um filme feito na década de 60, numa sociedade super restrita, cheia de valores muito arraigados, e ao mesmo tempo é absolutamente contemporâneo. Quando a gente terminou de assistir, eu fazia assim: “Não é possível. De quando é que esse filme, gente? Parece que foi feito no ano passado”.

Foi quando a gente viu a possibilidade dramatúrgica que essa peça poderia dar. Se a galera fez isso em 60, vai o Édipo virar DJ é fichinha.

Agora, queria que você falasse um pouco da parceria com o Luiz Fernando Marques, o Lubi. Como ela se consolidou? Por que vocês se deram tão bem trabalhando juntos?

Trabalhar com o Lubi é muito fácil e gostoso, porque ele é um diretor que propõe e dirige muito numa ideia de parceria, horizontalidade, o que pra gente é muito caro. O Magiluth é um grupo que está caminhando pra 22 anos, e que foi se consolidando por essa relação de horizontalidade.

Quando a gente encontra um parceiro como Lubi, um diretor que vem pra trabalhar com o material da sala de ensaio, um material que a gente pensa de forma coletiva, isso é muito legal. A gente se sente muito respeitado por trabalhar com ele dessa forma, sabe? De fato, somos atores-criadores, e o Lubi é um diretor que tem uma escuta e uma sensibilidade muito forte pra entender os anseios desse grupo. Quando a gente propõe um projeto pro Lubi, a primeira pergunta que ele sempre faz é: “Tá bom, mas como é que vocês querem fazer essa peça?”. Nunca é uma proposta tipo: “Ai, eu queria que a gente fizesse a peça assim”.

Isso é muito legal. Acaba que no resultado final da peça, todo mundo está muito empoderado sobre aquilo, sabe muito o que está fazendo. A gente está em cena muito completo, porque é uma criação de fato coletiva.

O Lubi é um diretor muito sensível, e com um olhar para as questões e discussões contemporânea. Ele consegue fazer com que a gente perceba dentro da peça discussões que são muito importantes trazer pro nosso tempo de agora. É um cara muito bom de trabalhar. A gente fica dizendo que ele é o sétimo magiluth. Ele veste muito mais a camisa do que a gente. Se você olhar qualquer foto do Lubi, ele está com o boné do Magiluth.

Vocês também já disseram que fizeram essa trabalho porque gostariam de entender o que faz as pessoas saírem de casa pra assistir a uma história tão antiga. Conseguiram?

As peças são clássicas porque o tempo todo elas têm coisas muito humanas pra dizer. As questões humanas que atravessam essa peça, ou tantos outros clássicos, são questões que nos atravessam o tempo todo. Ela não se torna uma peça data, porque ela não está falando sobre uma situação específica, está falando sobre gente.

E quando a gente faz o Édipo, começa a entender e a levantar a peça, começa a perceber que existem muitas coisas dentro dela que são sobre nós, sobre nossa relação social, individual, sobre a relação do indivíduo com o meio. Viver essa experiência é responder muita coisa sobre si, sabe?

Por isso todo mundo sempre volta pra ver. O Édipo não é um cara que matou o pai, ficou com a mãe e agora está descobrindo a própria tragédia. Isso é Freud. É como Freud leu a peça. O Édipo está dizendo: cara, quem eu sou? Quem eu sou no meio disso aqui? Tipo, o mundo está acontecendo ao meu redor e eu estou querendo entender. Obviamente que não são respostas diretas, matemáticas.

Na montagem, o corifeu [no teatro grego, responsável por fazer a ponte entre o coro e os atores] da peça original é representado por uma câmera que fica captando e reproduzindo as imagens. E você mesmo antes levantou uma crítica ao excesso de produção de fotos e vídeos que a gente faz hoje, nas redes sociais. Como a peça trata isso?

Existem dois personagens que carregam a peça e que são importantíssimos pra contar e alinhavar essa história: o coro e o corifeu. O coro, na figura de uma mestre de cerimônias, uma drag queen, que convida as pessoas a viver tudo aquilo. E o corifeu que observa a situação.

A discussão que a gente vai trazendo na peça é a partir desses dois personagens, que vão revelando suas questões. O coro vai falando pro corifeu que, por mais que a gente tenha hoje um excesso de câmeras, um excesso de filmagens, um excesso de informações, ainda assim isso é um recorte. Não tem a ver com a experiência de tudo aquilo.

E aí em algum momento a gente começa a brincar dentro da peça com a experiência do é o cinema e o que é o teatro. E como a gente faz com que aquilo ali esteja vivo.

Por mais que o corifeu vá fazendo um recorte e ajudando a gente a fazer a leitura da peça a partir desses recortes, ainda assim a experiência completa tem a ver com presença, com o fato de estar ali e vivenciar tudo aquilo. E aí entra essa discussão sobre as redes sociais, né?

Uma coisa é aquilo tudo que eu posto no meu Instagram, o recorte que eu dou. E o recorte que eu dou no meu Instagram sou eu, Giordano, pai de família, artista, apaixonado pelo seu filho, e quem me acompanha, chega e diz: “Nossa, é tão legal ver teus vídeos com o seu”. Beleza, mas isso é quando eu estou na câmera. Fora da câmera, ninguém viu que esse final de semana eu dei um beliscão nele. E ele ficou puto comigo, e que eu briguei com ele. Porque aquele recorte que eu postei no Instagram é um recorte específico, mas na vida, criar uma criança, viver um relacionamento, viver essas dores, é uma outra coisa. Tem essa discussão dentro da peça: o que é real e o que é ficção? O que é real e o que você está recortando?

O cinema ou o teatro dão conta dos dias de hoje?

Eu acho que não. Tanto um quanto o outro são sempre um recorte artístico daquilo ali. Tem muito mais a ver com a ideia de proporcionar uma experiência estética.

A vida vai ser sempre a vida, sabe? Não tem como. Por mais que a gente faça e aconteça, ainda assim vai ser um recorte estético e artístico. O que a gente propõe é que, mesmo que seja uma experiência estética coordenada e encaminhada por um grupo de artistas, ainda assim ela seja sensorialmente quente, sabe?

Nesses quase 22 anos, como é a relação do Magiluth com a cidade de Recife? Parece que vocês têm até um tipo de fã-clube, certo?

Eu acho que uma das coisas que a gente conseguiu fazer nesses 22 anos de coletivo foi uma construção artística e estética muito alinhada com o pensamento de uma geração da cidade. Em Recife, Pernambuco como um todo, a gente tem uma ideia cultural muito apaixonada pela cidade. Eu tava agora no carnaval vendo isso. Não sei se em outro lugar as pessoas usam a bandeira do estado como roupa, como em Pernambuco. No carnaval a gente canta o hino da cidade, como quem está cantando uma música de carnaval.

Essa relação com a cidade é uma coisa muito forte, que tem a ver com uma construção passada, que veio antes de nós, mas que continua acontecendo. O Magiluth é muito fruto da continuidade de um legado cultural pernambucano. E falando da sua aldeia, você fala do seu mundo, né?

Agora parece que a camisa da Pitombeira [Pitombeira dos Quatro Cantos, tradicional bloco de carnaval de Olinda] se tornou uma segunda farda brasileira, todo mundo tem uma camisa da Pitombeira, e isso tem muito a ver com o filme do Kleber [Mendonça Filho], que usa elementos da cultura pernambucana pra falar sobre uma ideia de Brasil.

Quando “O Agente Secreto” está discutindo a memória brasileira, essa memória apagada, esquecida, causada por uma anistia e uma ditadura militar absolutamente violenta, e pra isso usa elementos fantásticos como a perna cabeluda, alguns críticos de cinema falaram: “Ah, mas parece algo muito localizado”.

Aí você fala: “Tá bom, você acha isso localizado, mas você lê ‘Cem Anos de Solidão’ e se emociona e, sei lá, quando é que você foi na Colômbia? Ou ouviu aquele realismo fantástico?”. São elementos que estão contando aquela história.

E quando a gente chega no Magiluth, é um grupo muito pautado, muito enraizado na cultura de uma cidade, de um estado, o tempo todo dialogando com questões nossas, mas que têm a ver com o mundo, sabe? É festa que a gente propõe no Édipo é uma discotecagem de qualquer festa de Recife. Tem som, grave alto, uma batida tecnobrega pernambucana, essa coisa toda. A gente é muito feliz de ser uma companhia com 22 anos sediada em Recife, sabe?

E já que a gente entrou no assunto, qual é a sua avaliação de “O Agente Secreto”?

Eu acho impecável, maravilhoso. Erivaldo, do Magiluth, está no filme. A gente fez até uma camisa na onda de que ele vai trazer o Oscar pra gente. É um filme que muitos amigos e parceiros fazem e participam. Eu saí muito emocionado do cinema. Eu acho realmente uma obra-prima, o melhor filme do Kléber, mesmo.

Eu acho que é um filme de uma densidade e de uma importância muito grande, principalmente nesse processo que a gente está vivendo, que chegou tão perto da perda de uma conquista tão dura que foi a democracia.

No final do filme, na última cena, quando menina chega pra conversar e um dos personagens do Wagner diz: “Então, você sabe mais do meu pai do que eu. Eu não sei nada do meu pai”. Caralho. Foi de uma geração pra outra que tudo se apagou, sabe? Eu acho assim que é um filme que vai trazer alguma coisa, sabe? Tem uma qualidade muito foda.

Trouxe bastante já, vários prêmios. Agora o pessoal está na expectativa do Oscar.

É, já trouxe bastante. Só pra Pitombeira, já pagou dois carnavais. Então, já trouxe muito.

Hoje, vocês são um os grupos mais respeitados do país, mas imagino que seja difícil se manter por mais de 20 anos fazendo teatro. Já fizeram muita coisa, não exatamente por vontade artística, mas por necessidade de sobreviver?

Já, já. Fizemos muito. Hoje, com 22 anos, dentro desse recorte do teatro brasileiro, a gente não é mais nenhum novinho. Mas que bom que na frente da gente tem alguns outros dinossauros, que também vão estar no Festival de Curitiba, como o Grupo Galpão e o Armazém, uma galera que veio antes e que foi abrindo todo o espaço pra que a gente pudesse andar.

Fora disso, quando alguém que sabe um pouco da história do Magiluth encontra o grupo, tem a ideia de que parece que a gente já chegou sentando na janela, saca? “Nossa, a galera vai todo ano pro Festival de Curitiba.” Cara, pra gente chegar aqui, teve que roer muita coisa.

A gente fez muita coisa, ação de bombom, trabalho de divulgação, teatro de empresa. A gente já fez a ação de Dia dos Namorados do Sonho de Valsa. Irmão, você está entendendo. Passei um mês andando de perna de pau, vestido de Cupido, no meio de shopping center e em parada de ônibus, entregando bombom e fazendo piada com o público. Isso a gente já fez, pô. Traz pra cá, vamos viver essa porra. Tem que pagar conta. Hoje, por tudo que conquistou, a gente está conseguindo, obviamente, escolher algumas coisas, tentar fazer com que sejamos donos do nosso destino.

Mas não é fácil. Vez ou outra você faz assim, “hum, esse projeto não era bem o projeto que eu queria fazer”, mas a gente tem que fazer porque precisa, mas obviamente com um lugar de mais autonomia, para poder escolher alguns processos. É uma loucura. É começar todo o ano pensando o que é que vamos fazer, como é que vai ser, quanto tempo a gente tem pela frente, planejamento, a mesma coisa de qualquer empresa.

E como é que faz um grupo funcionar por tanto tempo, manter ele coeso? Por mais que todos tenham o mesmo propósito, são pessoas, com suas idiossincrasias.

A gente tenta resolver tudo de forma democrática, o que é dificílimo, porque democracia com seis pessoas sempre tem um momento que pode dar empate. Aí começa de fato o exercício democrático, quando você começa a conversar, a entender, a fazer a divisão das coisas. Mas eu acho que nesse processo todo a gente também foi encontrando um lugar de respeito muito grande. Entendendo que todo mundo trabalha em prol de um bem coletivo. Todo mundo quer o melhor para o trabalho, o melhor para o grupo.

E quando existe algum atrito em relação ao trabalho, sempre existe o pensamento de todos nós que esse atrito é por conta de caminhos e não de objetivos. Todos nós queremos o mesmo objetivo, o caminho que cada um quer fazer pra chegar naquele objetivo é que às vezes é diferente.

E, claro, estamos envelhecendo juntos, percebendo que questões e ranzinzices de cada um vão aumentando, mas quem está a menos tempo no grupo está há quase dez anos, é muito tempo trabalhando juntos, você começa a entender muito bem.

E criando uma relação familiar, né? E você começa a entender que família não está ligada somente a amor. Eu tenho um irmão, ele é meu irmão, ele nasceu comigo e é isso. Eu posso não gostar, eu posso não sei o quê, mas é o que tenho.

Somos uma família. Cada um tem suas questões, mas é que somos. E como é que a gente vai trabalhando com isso? Eu acho que hoje o grupo está num lugar que maturidade de relação muito bonito. E, obviamente, sempre vai ter conflito.

Sempre vai ter um dia em que alguém acordou com o ovo mais virado. E aí hoje somam outras questões, né? Metade do grupo já tem filho. Agora o problema já é outro, o problema é com quem vai ficar a criança. Tem que viajar e a gente pensa assim: “Meu Deus, onde é que vai ficar o menino? Com quem vai ficar o menino? Pelo amor de Deus”. Tem um pouco disso.

A Mostra Lucia Camargo no Festival de Curitiba é apresentada por Petrobras, Sanepar e Governo do Estado do Paraná, Prefeitura de Curitiba e Fundação Cultural de Curitiba, com patrocínio de EBANX, Viaje Paraná e Copel, com realização do Ministério da Cultura e Governo Federal - Do lado do povo brasileiro. Acompanhe todas as novidades e informações pelo site do Festival de Curitiba www.festivaldecuritiba.com.br, pelas redes sociais disponíveis no Facebook @fest.curitiba, pelo Instagram @festivaldecuritiba e pelo Twitter @Fest_curitiba

Ficha técnica

Criação: Grupo Magiluth, Nash Laila e Luiz Fernando Marques

Direção: Luiz Fernando Marques

Dramaturgia: Giordano Castro

Elenco: Bruno Parmera, Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Lucas Torres, Mário Sergio Cabral, Nash Laila e Pedro Wagner

Design de luz: Jathyles Miranda

Design gráfico: Mochila Produções

Figurino: Chris Garrido

Trilha sonora: Grupo Magiluth, Nash Laila e Luiz Fernando Marques

Cenografia e montagem de vídeo: Luiz Fernando Marques

Cenotécnico: Renato Simões

Videomapping e operação: Carol Goldinho

Operação de som: Gabriel Mago

Captação de imagens: Bruno Parmera, Pedro Escobar e Vitor Pessoa

Equipe de produção de vídeo: Diana Cardona Guillén, Leonardo Lopes, Maria Pepe e Vitor Pessoa

Produção: Grupo Magiluth e Corpo Rastreado

Instagram: @brunoparmera_ @erivaldooliveiraator @giordanocastro @torresmagiluth @mariosergiocabralator @nashlaila @roberto__brandao @eupedrowagner

Serviço:
Édipo REC – Mostra Lucia Camargo
34º Festival de Curitiba
Local: Ópera de Arame - Rua João Gava, 920 - Abranches
Data: 8 de 9 de abril
Horário: 20h30
Categoria: Teatro contemporâneo
Classificação: 18 anos
Duração: 120 min (+5 min de intervalo)

34.º Festival de Curitiba
Data: De 30/3 até 12/4 de 2026
Valores: Os ingressos vão de R$00 até R$85  (mais taxas administrativas).
Ingressos: www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva no Shopping Mueller - Piso L3 (Segunda a sábado, das 10h às 22h e, domingos e feriados, das 14h às 20h).
Verifique a classificação indicativa e orientações do espetáculo.
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*Por Sandoval Matheus

Foto: Camila Macedo.